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Entrevista com a DJ Renata Dias

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Hoje é o Dia Internacional da Mulher e amanhã o Dia do DJ, e nada melhor para comemorar essas duas datas do que conversar com uma mulher DJ. Essa garota super alto-astral é a nossa entrevistada de hoje, uma homenagem a todas as mulheres.

DJ Renata Dias - Estúdio Gato Louco
Venha curtir o melhor da música eletrônica com a DJ Renata Dias! Foto: Estúdio Gato Louco

Nascida em Salvador, a DJ e empresária da área de eventos Renata Dias, rodava o Brasil atrás das gigs que despertavam sua curiosidade e vontade de fazer parte desse mundo contagiante. Apaixonada por música eletrônica, ela começou a comandar as cabines em 2007 e não parou mais. Desde então, ela respira esse universo de infinitas possibilidades e realiza seu trabalho com muito profissionalismo e criatividade. Marcou presença na Ministry Of Sound – Aracaju, Salvador Weekend 2011, Space Ibiza e na cobiçada Tenda Eletrônica do Festival de Verão Salvador. Atuou como residente em diversas edições da Tékton Club – Casa Cor Bahia 2011, eventos como Sauípe Folia, Odonto Fantasy e 99 Club.

Mulher, sexo forte, decidida. Profissionalismo é seu nome, Criatividade sua marca, Beleza, ah é apenas um mero detalhe nessa baiana que da nó em pingo d’água. Sem mais delongas, apresentamos uma entrevista para Ativar os Sentidos! Literalmente…

Ativar os Sentidos – Olá Renata, de onde surgiu o interesse pela música eletrônica?
DJ Renata Dias
– Eu sempre curti a música eletrônica e em uma época que a galera de Salvador tinha acesso a 1 ou 2 clubs, eu já viajava atrás das gigs itinerantes, apaixonada por sons mais vibrantes do que geralmente encontramos em casas comerciais. Sempre gostei de música, qualquer uma, a paixão pelo eletrônico veio pelo despertar de uma Renata mais intensa que sempre era a primeira a chegar e a última a sair das festas, dançando até a última batida. Movida pelas batidas, como o pulsar de um coração.

AS – Por que você decidiu se tornar DJ? Como sua família reagiu a essa decisão?
Renata
– Na verdade eu não decidi virar DJ, não foi uma iniciativa minha… Uma produtora local era dona de um club aqui em Salvador e eles queriam muito ter um grupo de mulheres para esbanjar glamour nas pick ups, eu frequentava a casa e fazia parte desse universo de baladas. Depois de algumas tentativas e da troca de Djs do grupo, terminei optando em desfazê-lo e seguir “carreira solo” e foi a decisão mais acertada que podia ter tido. Sou extremamente dedicada, pesquiso diariamente, adquiri os meus equipamentos e busco agregar o máximo de técnica e criatividade nas minhas apresentações, não gosto que me contratem por ser mulher ou por ser bonita, gosto que me contrate por ser DJ! Minha família é maravilhosa e sempre me incentivou a arriscar na vida, nunca me impediram ou questionaram nada, até porque já estava beirando os 30 quando comecei a carreira (risos).

AS – Quais são suas influências no mundo da música?
Renata
– Minha influência base é HOUSE MUSIC. Hoje pesquiso de acordo com a festa que sou contratada, minha case é bem diversa e para cada tipo de público, tenho uma linha diferente a seguir. Muitos DJs estão corretos quando dizem que isso em parte é negativo, porque não desenvolvo uma imagem da DJ Renata Dias com um conceito firmado, mas lá no fundo eu quero mesmo é agradar. Cabines comerciais, conceituais, ecléticas… Se o público estiver dançando e o contratante feliz, é o que me importa, essa é a minha vertente. Ter a certeza que atendo a expectativa geral e que vou ser convidada à voltar outras vezes.

AS – Seu estilo é bem variado, como você se define?
Renata
– É como falei antes, toco House, Tech, Progressive… Depende de cada pick up, mas sempre tentando me apegar a presença de vocais por que é o que o público geral curte. Aqui na Bahia não tem como se prender ao chamado “conceito” porque não temos mercado para isso, mas curto muito e sempre que posso, dou uma variada. Dias seguidos só de comercial termina que massifica um pouco para quem toca.

AS – Para uma DJ feminina a aceitação do mercado é mais difícil?
Renata
– Acho que hoje em dia o preconceito já melhorou, mas ontem mesmo ouvi um comentário tipo: E não é que ela toca mesmo? Essa é a comprovação de que muitos DJs ainda tem preconceito com as mulheres, por achar que no fundo nós só queremos esbanjar glamour e estourar champagne nas pick ups. Temos hoje grandes nomes de mulheres que estão dominando o mercado e que são contratadas pela competência ímpar em suas apresentações e desenvolvimento de sets.

DJ Renata Dias - Festas
DJ Renata Dias comanda o som. Foto: André Carvalho/Reprodução

AS – Você acredita que em breve teremos TOP DJs tão ou mais reconhecidos e admirados pelo público brasileiro como os gringos?
Renata
– Já temos alguns DJs que são bem posicionados fora do Brasil, mas a verdade é que nacionalmente temos outras vertentes musicais que são tidas como diferenciais no mundo. Não acredito sinceramente que vamos conseguir alcançar um título na música eletrônica, não pela incapacidade dos profissionais daqui, mas pela falta de reconhecimento da cena do mercado mundial, lá fora o Brasil é o país do samba e da bossa nova.

AS – O movimento cultural da cena eletrônica cresce ao mesmo tempo que a quantidade de termos em inglês, tais como: gig’s, pick ups, groove, beat, samplear, etc. Isso é mais uma forma de se diferenciar/reafirmar culturalmente? Para você o que é ser hype?
Renata
– A música eletrônica não nasceu no Brasil, nós adquirimos os termos porque são os utilizados desde os primórdios da profissão, não teria porque modificarmos “abrasileirando” o que já existe e se adéqua perfeitamente a cada proposto. E quanto a ser hype é a palavra do momento. Ser antenado com a atualidade e despido de padrões e pré-conceitos.

AS – As festas conhecidas como RAVES, sempre foram alvo da venda e consumo de drogas. Porém sabemos que em qualquer balada, as drogas alucinógenas também estão presentes. O que os organizadores e DJs estão fazendo para mudar essa visão pré-concebida por grande parte da sociedade e que acaba rotulando negativamente esse tipo de festa?
Renata
– Bom… Primeiro é importante ressaltar que a droga está onde o consumidor está. Não é a festa quem vende a droga, é o público que a consome. As drogas hoje estão presentes em qualquer ambiente e não só onde rola música eletrônica. Os produtores trabalham a imagem das festas trazendo selos internacionais e focam no glamour, em mostrar um público bonito e muito bem vestido, consumindo bebidas Premium em ambientes altamente sofisticados, para tentar mudar essa imagem das pessoas dançando de óculos escuros e surtados nas caixas de som, mas acho que já conseguimos mudar um pouquinho dessa imagem, as raves estão praticamente extintas por aqui, temos hoje, festas de música eletrônica, até o termo já foi deixado de lado, puro rótulo.

AS – O que você aconselha para as pessoas que também querem ser DJs?
Renata
– Não sou radical e sou contra a teoria de que já se nasce DJ ou que o DJ para ser bom tem que tocar de vinil ou de “wxyz”. Para os apaixonados pela profissão a dica é: Se especializem! Estudem, pesquisem, façam cursos, aprendam a compreender o que te faz feliz nas pick ups e aprendam a entender (e aceitar) que o que importa é a resposta do público e não o seu gosto musical. Não se venda por pouco e não ache que estar bem na mídia é estar com uma foto num flyer qualquer, se quer holofote se inscreva num reality Show, faça teatro ou se candidate à algum cargo político. Mas se quer ser DJ, seja autocrítico, dedicado, entregue-se de corpo e alma, e BOMBE NAS PISTAS!

AS – Como foi discotecar para o público do Festival de Verão pela segunda vez?
Renata
– Estar na Tenda é um presente. Traduz o reconhecimento pelo trabalho desenvolvido ao longo do ano e não foi diferente do ano passado, é sempre uma estreia, é sempre contagiante e imprevisto. O público do “misturaê” consegue abraçar todas as tribos e nos fazer sentir em comunhão com esse universo, pura sinergia!

Renata em AÇÃO na Tenda Eletrônica do FV 2012:

Confira também o vídeo feito pelo Coletivo ZoOm com outras imagens da Tenda Eletrônica.

AS – Geralmente os DJs lançam singles autorais ou fazem remixes e participações com outros artistas ao longo de sua carreira. Por que é tão difícil ver um DJ lançar um álbum completo? É por falta de apoio das gravadoras ou falta de público consumidor?
Renata
– Considero o Brasil um grande berço cultural onde conseguimos agregar os mais variados ritmos e sons, o que falta na verdade é público consumidor que justifique um investimento desse porte, ainda mais tendo em vista a facilidade que qualquer pessoa tem em acessar e fazer downloads de lançamentos em tempo real através da internet.

AS – Qual a sua expectativa para o futuro, seus projetos e planos?
Renata
– Eu sempre digo que “o céu não é o limite”. Estou em um momento de alto investimento em imagem, gravação de material e trabalho forte com assessoria de imprensa, meu maior objetivo é sair de Salvador com mais frequência, abraçar outros estados e ser reconhecida como uma DJ baiana que toca para quem ama música eletrônica. O plano é esse!

* Essa é a nossa homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Agradecimento especial a Renata Dias que gentilmente concedeu-nos essa entrevista, realizada por Edvando Junior.

  • Carolina Modesto

    Matéria incentivadora, não apenas para as mulheres, mas para todo ser humano que precise de um empurrãozinho para buscar sua realização!! Caminho lindo trilhado pela Renata Dias! Adorei!!

    • Oi Carol, q bom q vc gostou da entrevista. A Renata vem trilhando um caminho mto bonito mesmo, um exemplo para as mulheres q buscam seu espaço. Abraço!