Início 6º SENTIDO Um Pequeno Buda

Um Pequeno Buda

Desejado e amado ainda antes de concebido foi o privilégio do primogênito. Seria rapaz ou seria rapariga? A novidade chegou à restante família assim como deve ser, uma boa nova. Uma explosão de sentimentos entre a alegria e o medo, nenhum faltou, ficando apenas a certeza do desejo generalizado de dar as boas vindas ao primogênito.

Criança Buda
Estátua com base na antiga tradição da criança Buda. Foto: Reprodução

Os meses de reboliço dentro do saco amniótico prometiam infindáveis odisseias e aventuras, contra gigantes e tempestades. Rebentaram as águas e pacientes 24 horas teve que esperar, até ver a luz que entrará pelas suas pupilas e ativará o novo mundo dentro de si. Assim veio ele ao mundo, sereno, em paz, à espera de que chegue o momento em que a sua voz se ouça, à espera de entender o que vê, apesar dos primeiros obstáculos a superar.

Superados os primeiros perigos neste novo mundo é testado sem saber porquê e para quê. É grande, é pequeno? Está dentro dos parâmetros para ser considerado gente normal? Mexe-se muito? Reage? Os seus pais consomem-se no mar das perguntas sem resposta e o pequeno anjinho no seu universo carregado de coisas novas, sons, cores, mãe, pai. Tantas perguntas que não entende, mas que o seu cérebro promissor tem que descodificar no futuro.

Passa o tempo e o delfim cresce, desabrocha lentamente no seu ritmo despretensioso. Os seus olhos rasgados de pequeno Buda observam tranquilamente, na sua aparente inação, na sua aparente indiferença. Esconde a alegria que está guardada apenas para os que a compreendem, para os que o querem compreender. Não será fácil o seu caminho. A sua serenidade e inocência enche os olhos de lágrimas a quem olha o amor incondicional, porque ama apenas porque gosta de amar incondicionalmente.

O seu doce olhar e sorriso dizem: “ainda bem que existes e que estás aqui comigo. Gosto de ti assim como és, porque me dás, porque gostas de me dar o que amarei retribuir de coração aberto e infinitamente espaçoso. Obrigado por existires e estares aqui. Vim para te consolar quando do meu consolo precisares, vim para sorrir quando do meu sorriso necessitares, abraçar-te-ei quando o meu abraço chamares, porque estou e estarei aqui quando partires.”

É a promessa de vida que lutará despertará as mentes dos adormecidos pela dor que se agarrou às peles e carne, é o guerreiro que derrubará os adamastores com as armas do coração, com a força da mente. Jamais a alma de quem esta alma tocar, será a mesma, porque foi abençoado pelo poder do amor mais puro, pelo que não julga, pelo que ama incondicionalmente, cuja presença imaculada rende corações empedernidos.

Este é o seu início, uma história já escrita no outro lado deste mundo, no outro lado do que vemos, no outro lado da vida.

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Ana Luísa NevesAna Luísa Neves, Portuguesa, Psicopedagoga. Trabalhei na Informação Médica, mas agora integro, com muito prazer, dois projectos relacionados com a saúde e geriatria. Tenho paixão pela música, pela leitura e escrita, ou não fosse eu uma mulher de longas paixões. A amizade tem um valor incalculável, o que contribui para o meu lema: Fazer o bem, faz e faz-me bem! Seu blog pessoal é o Coisas da Vida e o twitter @analuisanesi.