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HONDURAS | Copán: Onde nasceu o Fim do Mundo

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Nos anos de 2009, 2010 e 2011, o mundo se viu perplexo, incrédulo e reflexivo diante de rumores do Fim do Mundo, devido a existência de uma interrupção no calendário Maia, o que rendeu a Hollywood, mais um sucesso de bilheteria no filme ‘2012’.

Uma espécie de tribunal das ruínas de Copán, em Honduras.
Uma espécie de tribunal das ruínas de Copán, em Honduras. Foto: Adalberto H. Vega/Reprodução

O fim do mundo não aconteceu. Pelo menos não da maneira como o cinema idealizou. Não naquele ano. Mas o que poucos sabem, é que povo maia tem origem incerta, mas antigas escrituras podem ligá-lo ao platônico povo atlânte, e que os maias, ainda, eram uma civilização que vivia em um dos universos mais densamente povoados e catastróficos do mundo.

Seu povo construiu grandes monumentos e esculturas para servirem de fortalezas, símbolos espirituais, místicos e delimitar fronteiras. Entre eles, o Copán.

Lugar de sucessivos reis, numa dinastia com mais de 16 reinados em apenas 37 hectares de terra, amontoava-se um aglomerado de gente que viviam de maneira muito primitiva, decidindo suas pautas sociais como guerreiros, cheios de hostilidade, capturas e sacrifícios. O intrigante são as questões que os cientistas do mundo todo não conseguem responder com precisão até hoje. A oeste de Honduras, as Ruínas de Copán são daqueles lugares que causam calafrios e nos fazem pensar em seres extraterrestres: ‘Como é possível que aqueles homens com tantas características rudimentares, tivessem ao mesmo tempo, tanta tecnologia e informação?’

Detalhes das ruínas de Copán, em Honduras.
Detalhes das ruínas de Copán. Foto: Reprodução

Copán foi um dos locais mais importantes da civilização maia, suas fortalezas e praças públicas imponentes caracterizam suas três fases principais de desenvolvimento, antes que a cidade fosse abandonada no início do século X.

Os contrapontos de quem observa esta cultura tão dual entre o progresso e o primitivo, são os avançados conhecimentos que os maias possuíam sobre astronomia, como eclipses solares e movimentos dos planetas, e sobre matemática, o que lhes permitiu criar um calendário cíclico de notável precisão. E foi este calendário que assustou a civilização moderna de 2012.

Na realidade são dois calendários sobrepostos: o tzolkin, de 260 dias, e o haab de 365 dias. O haab era dividido em dezoito meses de vinte dias, mais cinco dias livres. Para datar os acontecimentos utilizavam a “conta curta”, de 256 anos, ou então a “conta longa”, que nascia no início da era maia.

Foram eles que determinaram métricas jamais superadas e usadas até os dias de hoje, como a exatidão incrível do ano lunar, a trajetória de Vênus e o ano solar (365 dias, 5 horas, 48 minutos e 45 segundos). Inventaram um sistema de numeração com base 20 e tinham noção do número zero, ao qual atribuíram um símbolo. Os cientistas, estudiosos da civilização maia, comprovaram que os antigos fizeram muitas observações do Sol, durante sua passagem pelo zênite, na praça cerimonial de Copán, em Honduras.

Porta que guarda o interior das ruínas de Copán, em Honduras.
Porta que guarda o interior das ruínas de Copán. Foto: Reprodução
Representação do Rei K'ak' Chan Yopaat.
Representação do Rei K’ak’ Chan Yopaat. Foto: Reprodução

Esta descoberta reafirma que os maias foram grandes astrônomos, físicos e cientistas que viveram seu esplendor entre os anos 250 a 900 d.C.

Copán é um centro arqueológico onde habitou a superpopulação Maia e onde este povo teria construído grandes monumentos e esculturas. Entre eles, o “Templo da Escada hieroglífica”, uma estrutura piramidal com mais de 2.000 glifos embelezados e contendo a mais longa inscrição maia antiga conhecida até os dias de hoje.

Nenhum lugar do planeta é mais preciso para se observar os movimentos do universo. Durante os solstícios e os equinócios, a posição do Sol gera alinhamentos especiais entre os vários monumentos, altares e outras estruturas da principal praça do sítio arqueológico maia de Copán construídos cautelosamente para trabalhar em harmonia com a programação do tempo. Arquitetos do mundo todo, observam a obra Maia fascinados pelo grau de inteligência, mesmo para os dias de hoje.

Mística, cheia de mistérios, magnetizada entre o primitivo e o visionário, esse povo contraditório que vivia entre a concepção de guerras, poderios e espiritualidade, chegaram ao pico de 26.000 pessoas por volta de 750 d.C.

Os pesquisadores observam que depois de 850 d.C., Copán tornou-se despovoada por razões que os estudiosos ainda debatem e desconhecem.

Altar Q representando os 16 reis da sucessão dinástica da cidade.
“Altar Q” representando os 16 reis da sucessão dinástica da cidade. Foto: Reprodução

Copán não teria sido a única cidade do mundo maia a dar inicio a um longo período de ruínas e sofrimento. Com o passar do tempo, todas as cidades do mundo maia começaram a cair, e uma possibilidade é que uma grande seca teria atingido a civilização da guerra. Outro aspecto que poderia ter dado ‘Fim ao mundo Maia’, teria sido justamente o pico populacional do Copán, 26.000 pessoas é insustentável para viverem em apenas 37 hectares, forçando-os a cultivar terras marginais e expandir-se para outras paisagens.

O fato é, Copán, como muitas outras cidades maias, desapareceu deixando mistérios que se perpetuam nas eras mais avançadas da civilização humana.

* Agradecimento especial a Micro & Soft Informática pelo apoio na realização deste projeto especial.