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IRÃ | Nasir al-Mulk: A Mesquita do Amanhecer

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De fora, é apenas mais um prédio histórico tradicional que parece não apresentar grandes novidades para quem já visitou qualquer outro lugar budista, mas é por dentro que este lugar ganha vida. São luzes, formas e sobreposições em cores que ao sofrer o toque de iluminação solar externa, recebe um efeito de arco-iris luminoso, contrastando com uma delicada pintura rosada nas paredes.

Por dentro da tradicional mesquita iraniana Nasir al-Mulk.
Por dentro da tradicional mesquita iraniana “Nasir al-Mulk”. Foto: Reprodução

Nasir al-Mulk fica localizada na cidade de Shiraz, no Irã e sua vista é uma das mais impressionantes do mundo. Repleta de significados, é justamente por sua textura colorida que a mesquita ganhou o apelido de “Mosteiro Rosa”.

Além das cores, o lugar recebe movimentos em mosaicos multi-coloridos nos seus vitrais, desenhos de azulejos geométricos pintados e paredes recobertas em gesso.

A riqueza de detalhes é tanta, que a sensação que se tem é a de estar dentro de um caleidoscópio gigante, pois a ideia é justamente a de introspecção e transferência de consciência.

Muito diferente das arquiteturas históricas tradicionais, a construção teve inicio em 1816, tendo sido concluída somente em 1988 e os desenhos são cautelosamente expostos em vitrais que recebem o sol da manhã. Majestosamente, a escultura só ganha esplendor para quem vê o Sol nascer, afinal, este é o costume dos monges, o que nos lembra o dito popular ‘Deus ajuda quem cedo madruga’. Se você chegar ao meio dia na mesquita, já será tarde demais para ver o espetáculo completo de luz e efeitos.

Suas janelas são manchadas de tinta e o mais interessante é que quando alguém percorre os corredores, também ganha vida de arco-íris.

Nasir al-Mulk by Lucie Debelkova.
Um passeio na mesquita. Foto: Lucie Debelkova/Reprodução
Inside Nasir al-Mulk by Dav Wong.
Foto: Dav Wong/Reprodução
Um passeio pela mesquita Nasir al-Mulk.
O colorido da mesquita. Foto: Reprodução

Algumas imagens, como as do teto, recebem tanta riqueza de detalhes que se projetam sobre o observador como num formato em 3D, causando até mesmo uma certa tontura e lembrando um universo quântico da consciência que se abre para novas realidades a cada ramificação.

Outra característica são as mandalas, um tipo de diagrama que simboliza uma menção sagrada em formato de grandes círculos que formam palavras em sânscrito, são na verdade yantras – mantras desenhados – que carregam consigo orações para os atributos divinos do Budismo.

Ainda que pareçam um misturado de cores sem ideologia alguma, cada detalhe do mosteiro tem grande significado para os amantes das meditações trans-psíquicas – aquelas que os levam aos estado de nirvana – todos os desenhos do mosteiro formam em conjunto uma grande oração.

Outside Nasir al-Mulk by Dav Wong.
Pelo lado de fora. Foto: Dav Wong/Reprodução

O lugar é aberto ao público e se você for visitar o Irã, o Nasir al-Mulk é considerado um dos locais mais bonitos para carregar as baterias e encher os olhos de alegria e admiração. Mas lembre-se, vá antes do Sol nascer, pois ao fim do dia, a mesquita esconderá o presente feito para aqueles que contemplam a vida, a claritude e o carpe diem.

Visitar a mesquita ao fim do dia terá sido como pagar uma sessão de terapia transpessoal e chegar no final, perder a chance da catarse, pois todos os significados estarão escondidos para a próxima cena – a cada amanhecer – e este, será apenas um monumento histórico como qualquer outro.

* Não deixe de conferir os outros artigos do nosso Especial “ATIVAR na Copa.