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Palestra com Oscar Niemeyer.

Estamos iniciando mais um especial aqui no Ativar Sentidos, e dessa vez vamos mostrar o outro lado, além do futebol, dos países participantes da Copa 2014. A ideia é destacar algum aspecto cultural, artístico ou gastronômico de cada um dos 32 países classificados para o Mundial da FIFA. E para começar, vamos contar as histórias do maior arquiteto que o Brasil já teve e que ainda hoje é considerado um dos grandes nomes da arquitetura moderna mundial. Responsável pelas principais obras de Brasília entre outros grandes feitos em vida, Oscar Niemeyer é o escolhido para representar o Brasil em nosso Especial “ATIVAR na Copa”.

“Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura e inflexível criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo” – Oscar Niemeyer.

Com seus traços inconfundíveis, o carioca Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho, nascido em 15 de dezembro de 1907, viveu para deixar o mundo menos sisudo. Seu trabalho deixou uma marca e o fez reconhecido no mundo inteiro pela leveza de seus traços e formas geométricas que fugiam ao padrão muitas vezes convencional. Considerado uma das figuras-chave da arquitetura moderna, sua exploração das possibilidades construtivas do concreto armado foi altamente influente. Muito elogiado, era chamado de “escultor de monumentos” e considerado um artista e um dos maiores arquitetos de sua geração, destacando-se pelo uso de formas abstratas e pelas curvas que caracterizavam a maioria de suas obras.

Formado em engenheiro arquiteto pela Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro em 1934, Niemeyer nunca quis trabalhar com arquitetura comercial e para colocar em prática seus desejos pessoais, aceitou até trabalhar de graça no escritório Lúcio Costa e Carlos Leão e participou, em 1936, da equipe que projetou o Ministério da Educação e Saúde (MES). “Esperava encontrar lá as respostas para as minhas dúvidas de estudante de arquitetura. Era um favor que me faziam”, afirmou ele.

Seu primeiro projeto foi a Obra do Berço, desenhada em 1937. Em 1940, Niemeyer conheceu o então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, que o chamaria para seu primeiro projeto individual, o Conjunto da Pampulha, projeto que lhe rendeu muitas críticas, admiração e reconhecimento internacional.

Oscar Niemeyer - Igreja São Francisco de Assis no Conjunto da Pampulha, em Belo Horizonte.
Igreja São Francisco de Assis no Conjunto da Pampulha, em Belo Horizonte. Foto: Reprodução
Oscar Niemeyer na época da construção da Catedral de Brasília.
Niemeyer na época da construção da Catedral de Brasília. Foto: Reprodução
Oscar Niemeyer - Catedral de Brasília.
Catedral de Brasília. Foto: Reprodução
Oscar Niemeyer - Croquis do Congresso Nacional.
Croquis do Congresso Nacional. Foto: Reprodução
Oscar Niemeyer - Congresso Nacional, em Brasília.
Congresso Nacional, em Brasília. Foto: Reprodução

Seu trabalho era internacionalmente reconhecido e requisitado. Foi convidado pelos EUA para projetar a sede da ONU. Teve uma exposição de sua obra no Museu do Louvre, em Paris. E livros publicados sobre seus projetos, como “The Work of Oscar Niemeyer”, de Stampo Papadaki, em 1950.

Niemeyer sempre foi um forte defensor de sua posição comunista e em 1945 ingressou no Partido Comunista Brasileiro. Fidel Castro teria dito a respeito dele: “Niemeyer e eu somos os últimos comunistas desse planeta”. Em 1965, participou de um protesto com mais de 200 professores da Universidade de Brasília contra a política universitária. Impedido de trabalhar no Brasil, exilou-se em Paris e começou a desenvolver projetos no exterior, como a sede da Editora Mondari, na Itália; a Universidade de Constantine, na Argélia; e o Centro Cultural de Le Havre, na França. Outros projetos internacionais do arquiteto: Acqua City Palace, na Rússia; Centro Cívico da Bolívia – CBC; Centro Comercial e Monumento Cívico ao Homem Líbio, na Líbia; Centro Cultural em Avilés, na Espanha; entre outros. Voltou ao Brasil nos anos 80 e seguiu trabalhando em outros projetos que continuariam a encantar o mundo.

Além de arquiteto, Niemeyer também era escritor. Alguns de seus livros publicados são “A Forma na Arquitetura” (1978), sobre seu desejo de criar uma forma que fosse exclusivamente sua; “Minha Experiência em Brasília” (1961), onde o arquiteto relata toda a luta, as dificuldades e o entusiasmo em erguer Brasília; e “Minha Arquitetura” (1937-2005), onde de maneira simples e despojada o arquiteto discorre sobre seu método de trabalho, suas experiências e trajetórias.

Como já citado anteriormente, Niemeyer consagrou-se na arquitetura por um trabalho ímpar, tendo recebido grandes premiações ao longo da vida e carreira. Entre eles estão: Prêmio Lênin da Paz (1963), Prêmio Pritzker de Arquitetura (1988), Prêmio Príncipe das Astúrias (1989), Medalha Chico Mendes de Resistência (1989), Medalha de Ouro do Riba (1998), entre outros. A mais recente homenagem a ele é uma proposta da Câmara dos Deputados para declará-lo Patrono da Arquitetura Brasileira.

Oscar Niemeyer - Auditório Ibirapuera, em São Paulo.
Auditório Ibirapuera, em São Paulo. Foto: Reprodução

Em sua vida pessoal teve dois casamentos, com Anitta Baldo (1909-2004), filha de imigrantes italianos, com quem teve uma filha, Anna Maria. Depois do falecimento de Anitta, casou-se novamente aos 98 anos, em dezembro de 2006, com sua secretária há três décadas, Vera Lúcia Cabrera com quem viveu por seis anos.

Sempre bem humorado gostava de brincar com os boatos em torno de sua idade avançada. Em entrevista para a jornalista Mônica Bergamo, do Jornal Folha de São Paulo, em junho de 2007, fez piada ao ser questionado se as coisas eram melhores do que há cem anos. “Cem anos é sacanagem, pô. Eu tenho 60!”.

Oscar Niemeyer faleceu no Rio de Janeiro, em 05 de dezembro de 2012, aos 104 anos. Sua única filha, Anna Maria Niemeyer, faleceu meses antes, aos 82 anos.

Para quem mora no Brasil e também para aqueles que virão ao país durante a Copa do Mundo, recomenda-se conhecer algumas de suas mais notáveis obras: Congresso Nacional, Catedral de Brasília e Memorial JK, em Brasília; Memorial da América Latina, Conjunto Copan e Conjunto Ibirapuera, em São Paulo; Sambódromo da Marquês de Sapucaí e o Museu de Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro; Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Minas Gerais; entre outros belíssimos projetos arquitetônicos espalhados pelo nosso país.

* Agradecimento especial a Micro & Soft Informática pelo apoio na realização deste projeto especial.