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Jane Austen: Dos Livros para o Cinema

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Para quem ainda não conhece Jane Austen, ela foi uma escritora inglesa que viveu entre 1775 e 1817 e criou obras clássicas sobre o universo feminino, além do cotidiano da sociedade inglesa do século XIX. Dotada de uma ironia um tanto quanto peculiar, seus livros tratam de sentimentos como amor, egoísmo e preconceito. Ou seja, são aqueles que prendem sua atenção, fazem com que você se identifique no ato da leitura e não queira largá-lo antes de acabar.

Retrato de Jane Austen (1875)
Retrato de Jane Austen, de 1875, baseado na aquarela feita pela irmã em 1810. © Domínio Público

Sendo uma das precursoras do romance feminino, sempre fugindo dos estereótipos ao criar seus personagens, ela nos presenteou com mulheres fortes, sensíveis, românticas, determinadas, racionais… Mulheres que viviam em uma época distinta, porém com personalidades que se encaixariam perfeitamente em qualquer uma de nós.

Com livros tão bons como Razão e Sensibilidade, Orgulho e Preconceito, Emma e Mansfield Park, é claro que surgiram adaptações para o cinema. Por isso hoje, recomendo a vocês dois ótimos filmes baseados na incrível obra de Jane Austen: Sense and Sensibility (Razão e Sensibilidade – 1995) e Pride and Prejudice (Orgulho e Preconceito – 2005).

1. Sense and Sensibility (Razão e Sensibilidade – 1995)

Após a morte do Sr. Dashwood (Tom Wilkinson), a viúva Sra. Dashwood (Gemma Jones) e as suas três filhas Elinor (Emma Thompson), Marianne (Kate Winslet) e Margaret (Emilie François), começam a passar dificuldades financeiras, principalmente depois que o meio-irmão John (James Fleet) não cumpre a promessa feita no leito de morte do pai, de que ampararia as quatro mulheres.

Razão e Sensibilidade
Kate Winslet e Emma Thompson em cena do filme “Razão e Sensibilidade”. © 1995, Columbia Pictures

Obrigadas a viver em um padrão de vida abaixo do que estavam acostumadas, as Dashwoods passam a ter de descobrir outras maneiras de sobreviver. Elinor, sempre levada pela razão é a âncora da família. Madura demais para seus 19 anos, é ela quem dá umas belas sacudidas na mãe e nas irmãs, quando estas ainda se acham perdidas entre fantasias e sonhos românticos. Já Marianne é a sensibilidade, sempre emotiva e nunca reprimindo seus sentimentos, demonstrando muitas vezes imaturidade e incapacidade para viver no mundo real. As duas irmãs são o foco central do filme, onde podemos acompanhar as aventuras e desventuras das moças em busca do amor e de uma vida melhor.

Razão e Sensibilidade é um filme que mostra perfeitamente todos os costumes da sociedade aristocrática inglesa do século XIX, com suas regras, preconceitos e as relações controladas, onde nenhum beijo era permitido entre uma moça e um rapaz que não tivessem um compromisso firmado.

O filme ainda conta com as participações de Hugh Grant (Edward Ferris), Harriet Walter (Fanny Ferrars Dashwood), Hugh Laurie (Mr. Palmer) e Alan Rickman (Christopher Brandon). Com direção de Ang Lee e roteiro de Emma Thompson, Razão e Sensibilidade levou o Oscar por Melhor Roteiro Adaptado e o Globo de Ouro por Melhor Filme.

2. Pride and Prejudice (Orgulho e Preconceito – 2005)

Na Inglaterra de 1797 nada é mais importante para uma moça do que conseguir um bom casamento. Seguindo essa lógica, tudo que a Sra. Bennet (Brenda Blethyn) deseja é casar logo suas cinco belas filhas. E com a chegada de Mr. Bingley (Simon Woods), um solteiro rico e cobiçado pelas redondezas, as moças ficam todas afoitas para saber quem casará com ele. Menos a bela Elizabeth “Lizzie” Bennet (Keira Knightley) que, apoiada pelo Sr. Bennet (Donald Sutherland) busca outros objetivos. Com a repentina aparição do misterioso Mr. Darcy (Matthew Macfadyen), Lizzie tem seu coração balançado, mas por achá-lo esnobe e desinteressado, os dois acabam sempre trocando farpas.

Keira Knightley no filme Orgulho e Preconceito
Keira Knightley em cena do filme “Orgulho e Preconceito”. © 2005, Universal Pictures

Orgulho e Preconceito é um retrato fiel a obra de Jane Austen, tanto que foi caracterizado no mesmo ano de lançamento da primeira versão livro. O cenário é uma Inglaterra rural, com uma bela fotografia dos campos abertos e lagos esverdeados. O enredo é também o cotidiano daquela época, com famílias cheias de preceitos, orgulho e preconceitos, tão bem representados por Judi Dench, no papel da intragável Lady Catherine de Bourg. Além disso, o filme também apresenta de forma competente as caçadoras de maridos, título que cabia tão bem as moças da época.

O amor é também retratado de forma sutil, porém não menos sensual. Apesar de quase não haver contatos físicos entre os personagens, paira no ar uma sexualidade reprimida pelos espartilhos apertados, uma explosão de sentimentos que pode-se notar em cada olhar de cobiça das irmãs Bennet por cada novo “partido” que entram em seu campo de visão.

Diferente de Razão e Sensibilidade, que é mais dramático, Orgulho e Preconceito rende boas risadas, principalmente pelos diálogos ácidos entre Lizzie e Mr. Darcy e também entre o Sr. e a Sra. Bennet.

Atuaram no longa Rosamund Pike (Jane Bennet), Jena Malone (Lydia Bennet), Talulah Riley (Mary Bennet), Carey Mulligan (Kitty Bennet) e Rupert Friend (Mr. Wickham). Dirigido por Joe Wright, essa foi a quarta adaptação de Orgulho e Preconceito, suas outras versões foram em 2004, 2003 e 1940. Apesar de não aparecer nos créditos, Emma Thompson reescreveu o roteiro do filme e teve um agradecimento dirigido à ela no final.

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Gabriela SilvaGabriela Silva, mais conhecida como Petit Gabi é uma paraense que já morou em algumas cidades, mas que encontrou seu porto seguro em São Paulo. Uma redatora que adotou a escrita como hobby. Amante de livros, gatos, Chico Buarque e apaixonada por redação. Enfim, uma pessoa comum, que gosta de escrever sobre coisas comuns. Mais do mesmo no Só Vim Pra Escrever, seu blog pessoal. @petitgabi

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