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INGLATERRA | Não há limites para Banksy

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“Quando lhe jogarem pedras, atire a primeira flor”. Em épocas de rede social é frequente ler este tipo de pensamento ou similares. Já pararam para visualizar esta cena? Pois o anônimo mais famoso do mundo já. Sim, estou falando de Banksy, o artista de rua britânico venerado por todos os criativos apaixonados por arte contemporânea.

Flower Brick Thrower by Banksy.
“Flower Brick Thrower”. © Banksy

Nascido em Bristol (Inglaterra) em 1974, Banksy é grafiteiro, ativista político e diretor de cinema. Sua arte satiriza pensamentos, recria contos de infância com sombras e distorções, repinta muros e grades com uma impressionante profundidade poética e ao mesmo tempo, subversiva do mundo. Ele se utiliza da técnica do estêncil e desenvolveu um estilo próprio para expressar-se como artista de vanguarda.

Ninguém olha para um mural pintado por Banksy sem que haja uma conversação momentânea dentro de si, absolutamente ninguém. Suas obras são repletas de conteúdo social, político e comportamental, retratados de uma forma agressiva e ao mesmo tempo sutil, expondo críticas que provocam nos observadores uma sensação de incoerência entre os acontecimentos. Após um período de inquietação interna entre a lógica e a arte, percebe-se que é Banksy que tem razão.

Com uma clara aversão aos conceitos de capitalismo, autoridade e poder, não existe censura ao que o grafiteiro é capaz de transpor. Um exemplo disso é a arte que reconta a história usando símbolos de alegria e do capitalismo norte-americano, como o Ronald McDonald e o Mickey de mãos dadas com o resultado catastrófico produzido pela guerra.

Banksy, War, Mickey, Ronald McDonald.
Mickey, Ronald McDonald e o resultado catastrófico produzido pela guerra. © Banksy

Suas obras são tão valiosas que a prefeitura da cidade britânica de Bristol as protegem com unhas e dentes. Algumas alcançaram preços tão elevados entre colecionadores, que muitos deles se negam a vender para evitar que sejam apagadas. Em fevereiro de 2013, uma imagem de aposentados jogando boliche com bombas foi vendida pelo equivalente a quase US$ 200 mil, um recorde para o artista. Mas a galeria Lazarides, em Londres, que vende seu trabalho, disse que seria um erro colocar um preço no antigo mural de Bristol, pois isto poderia ser uma tentação para pessoas que poderiam removê-lo.

Em outubro de 2013, Banksy esteve em New York e realizou uma série de trabalhos. Suas intervenções foram divulgadas por um site e chamou a atenção de turistas do mundo todo. Entre elas, podemos citar uma crítica à construção do One World Trade Center, uma escultura de um Ronald McDonald mal-humorado usando um enorme sapato vermelho que era engraxado por um jovem humano e um caminhão que estava repleto de bichos de pelúcia que choravam e gritavam simbolizando animais indo para o abate. Sirens of the Lambs, ou algo como Sirene dos Inocentes.

Sirens of the Lambs by Banksy.
“Sirens of the Lambs”. © Banksy
Ronald McDonald mal-humorado, por Banksy.
Ronald McDonald mal-humorado. © Banksy
Peace Soldiers by Banksy.
“Peace Soldiers”. © Banksy
TV Heads by Banksy.
“TV Heads”. © Banksy
Graffiti by Banksy.
O que o governo está escondendo? © Banksy
Mobile Lovers by Banksy.
“Mobile Lovers”, uma bela reflexão sobre o amor na era digital. © Banksy

E não é só de grafite que o artista constrói seus relatos. Qualquer objeto pode virar uma obra de arte em intervenções públicas das mais variadas. Outra característica marcante é a conexão que o veterano artista de rua faz ao observar um objeto e logo, transformá-lo em algo inusitado.

Mobile lovers wall by Banksy.
Intervenção artística do “Mobile Lovers”. © Banksy

Se hoje você quiser viajar e posar do lado de uma obra de Banksy, saiba que sua arte de rua satírica e subversiva estão em maior quantidade na cidade britânica de Bristol. Entretanto, muitas delas já podem ser encontrados em ruas, muros e pontes de cidades por todo o mundo.

Quando lhe faltar criatividade para qualquer coisa no mundo, pense: o que Banksy faria?

  • Petit Gabi

    Esse cara é muito bom. Curti!

    • Luh Pires

      Eu também. Obrigada Gabi.