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O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares

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A primeira vez que vi algo a respeito do primeiro livro de Ransom Riggs foi através da nossa colunista Sarabólica. Acho que ela me marcou em alguma postagem no Facebook, não lembro bem… Mas acontece que desde o primeiro instante eu quis ter aquele livro nas mãos. As fotografias, a princípio, me instigaram muito mais que qualquer história que eu poderia ler. Devo confessar que tenho um incrível fascínio por fotos antigas e junto ao contexto a remetia à história de Riggs, foi um prato cheio pra mim.

Capa do livro O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, de Ransom Riggs.
Foto: Divulgação

Li o primeiro livro com muita sagacidade e a cada página eu ficava ainda mais curiosa, me segurando para não espiar as páginas seguintes à procura de mais fotos. E não me arrependi.

O livro 1, O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, que dá nome à série é bem instigante, descritivo e cheio de boas aventuras. Jacob Portman, o garoto de 16 anos que protagoniza a história, é ávido por descobrir o quanto de veracidade existe nas histórias contadas pelo avô. Com pais de certa forma ausentes, sem irmãos e com poucos amigos, foi no avô que Jacob encontrou um grande companheiro na infância para as aventuras que viveu. Tudo através da coleção de antigas fotografias e dos mapas mundi do avô, enquanto ouvia sobre as mais maravilhosas coisas que alguém poderia viver.

Aliás, que criança nunca sonhou em ter um super poderes? Imagino que quase todas já quiseram um dia, ser de certa forma peculiar. E, para Jacob, que cresceu ouvindo grandes contos sobre a menina que tinha fogo nas mãos, o garoto invisível, a garota que podia voar ou a outra que era tão forte que poderia suportar muitas vezes o próprio peso; e também o menino com abelhas no estômago, o que podia dar vida aos mortos, entre tantos outros personagens fascinantes que vivem em uma ilha remota no País de Gales, dentro de uma fenda do tempo, essa era uma possibilidade mais que possível.

Mas como sempre, a criança cresce e para de acreditar em fantasia. Mas para Jacob, deixar de acreditar era perder a confiança no homem que ele mais idolatrava no mundo, o avô. Por isso, após sua morte Jacob parte para a famosa ilha em busca de suas próprias aventuras e descobertas. Lá ele encontra todas aquelas pessoas que por anos povoaram sua imaginação: Srta. Peregrine, Emma Bloom, Bronwyn Bruntley, Hugh Apiston, Millard Nullings, Olive Elephanta, entre tantos outros peculiares cheios de vida e personalidade.

Capa do livro Cidade dos Etéreos, editora Intrínseca.

No livro 2, Cidade dos Etéreos, a aventura fica mais séria. Muita coisa muda comparado a calmaria do livro 1, onde tudo era só a descoberta de um novo mundo. Jacob, ainda muito inexperiente, se vê diante de muitos perigos e desafios bem diferentes daqueles que aconteciam em sua vidinha normal. Mas junto aos amigos peculiares ele descobre dentro de si uma grande capacidade de liderança e também um dom que ele nem imaginava que tinha.

Banner do livro Biblioteca de Almas, o terceiro volume da série O Lar da Srta. Peregrine.

Para finalizar a série, Biblioteca de Almas, eu diria que é o mais intenso do ápice de toda a aventura. Claro, é o livro que fecha a história, não poderia esperar menos. É onde entendemos muito sobre o mundo peculiar, suas curiosidades são de certa forma explanadas e tanto para Jacob, como para o leitor, tudo passa a ter um sentido afinal. Preciso confessar também que me surpreendi com o apego que tive exatamente com relação a história em si, pois ao contrário dos dois anteriores, as fotos já nem eram assim tão interessantes. Era o enredo que de fato me prendia e isso me trouxe uma tremenda satisfação.

Eu acabei de ler e já estou me sentindo uma órfã. Com saudades dos amigos peculiares que fiz e ávida por mais algumas boas histórias assim. Ler esses livros me lembrou um pouco o enredo de dois dos meus filmes favoritos Forrest Gump – O Contador de Histórias e Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas. Do quanto acreditar na fantasia faz nossa vida mais leve, encantadora e mais feliz e quando a gente para de acreditar, parece que nada faz tanto sentido. Gostei de resgatar essa sensação da infância, de quando eu lia com toda minha inocência infantil, me transportando para aquelas aventuras, me sentido a própria Pipi MeiaLonga (personagem favorita da infância). Que delícia!

Por fim, fica a recomendação. Espero que gostem.

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