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CHILE | Pablo Neruda: Poesias não morrem

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Neftalí Ricardo Reyes Basoalto, este é o verdadeiro nome de um dos maiores poetas chilenos, que ainda adolescente adotou o pseudônimo de Pablo Neruda.

Pablo Neruda gravando um poema na Biblioteca do Congresso dos EUA, em 1966.
Neruda gravando um poema na Biblioteca do Congresso dos EUA, em 1966. Foto: Reprodução

Radicado em Santiago, Neruda estudou pedagogia em francês na Universidade do Chile, vindo a obter o primeiro prêmio da festa da primavera com o poema “A Canção de Festa”, publicado posteriormente na revista Juventude.

Quem lê Neruda viaja, flutua no tempo e talvez a explicação deste fenômeno esteja nas suas características pessoais um tanto marcantes. De fato, o escritor nunca foi uma pessoa comum. Desde criança, diversas peças fizeram parte do seu arsenal de brinquedos, numa sala inteira dedicada a objetos que lhe serviam como fonte de sonhos e inspirações.

A capacidade de percepção das coisas, fez dele um homem com muitas curiosidades que cercam a vida do escritor fascinado pelo mar. Um exemplo disso é uma das casas onde o poeta chileno, já adulto, morou na Isla Negra: carrancas retiradas de proas de navios de barco serviram para construir uma casa nada tradicional com formato e carcaças de barco. Dentro dela, objetos marítimos pra todo o lado. O poeta acreditava que uma vez por ano, o espírito delas retornava do mar para fazer uma grande festa. No jardim, uma âncora com sua vista para o oceano apontavam o caminho da liberdade.

Pablo Neruda visita a antiga União Soviética (URSS) em 1950.
Neruda visita a antiga União Soviética (URSS) em 1950.

A portinhola de uma embarcação trazida pela correnteza marítima foi transformada em mesa de trabalho e posicionada em frente a uma janela com vista para o oceano Pacífico. Ali nasceram algumas obras-primas, como o livro “Canto Geral” (1950).

A fixação pelo mar fez do peixe a figura-simbolo de seu brasão. Cercado de estímulos pra todo o lado, estes objetos serviram como fonte de inspiração para muitos de seus famosos poemas.

Para ele, ser chamado de colecionador não era o termo certo; se dizia um “coisista” de boas ideias.

Eram formas estranhas, garrafas coloridas espalhadas por toda a casa. Algumas delas parecem mãos segurando facas, veleiros e botas. Outros modelos, mais comuns, ficavam no corredor que conduzia ao escritório.

Observador do mundo, desenvolveu a Poesia visual com enormes muros de madeira que cercam a residência, cheios de frases deixadas pelos visitantes para que a poesia continuasse no ar vibrando emoções. Na entrada, uma pequena coleção reunia objetos de várias partes do mundo, incluindo um quadro que faz referência à tela Guernica, de Pablo Picasso.

Pablo Neruda: I need the sea because it teaches me (wallpaper).
“I need the sea because it teaches me” (wallpaper).

Outra curiosidade era a contradição de sentimentos: apesar de ser apaixonado pelo mar, Neruda tinha pavor de entrar em suas águas. Ele costumava dizer: ‘Há anos coleciono conhecimentos que não me servem muito, porque navego sobre a terra.’ Talvez pudéssemos encontrar ai, um profundo desejo de entender e dominar o medo.

São muitas as questões que cercam sua morte em 1973. De acordo com Isabel Allende, em seu livro Paula, Neruda teria morrido de “tristeza” em setembro de 1973, ao ver dissolvido o governo de Allende. Já a versão do regime militar do ditador Augusto Pinochet é a de que ele teria morrido devido a um câncer de próstata.

Funeral de Pablo Neruda.
Funeral. Foto: Reprodução

Se disto ou daquilo, a verdade é que jamais saberemos. A única certeza que fica é a rica contribuição literária que permanecerá em eterna herança de uma das figuras mais memoráveis do Chile: escritor, poeta, “coisificador” e militante do pensamento livre.

* Não deixe de conferir os outros artigos do nosso Especial “ATIVAR na Copa.