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NIGÉRIA | A série fotográfica Yoruba African Orishas

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Desde pequeno escuto histórias sobre a cultura africana e suas crenças. Cresci intrigado com todos os mistérios que cercam uma das religiões mais discriminadas que conheço, o Candomblé. E hoje vamos falar sobre uma série fotográfica realizada pelo norte-americano James C. Lewis, que retrata com maestria alguns dos principais deuses do iorubá. Estou falando da série Yoruba African Orishas, que vai representar a Nigéria em nosso Especial “ATIVAR na Copa.

Yoruba African Orishas é uma série criada pelo fotógrafo James C. Lewis, da Noire 3000 Studios.
“Yoruba African Orishas” é uma série criada pelo fotógrafo James C. Lewis, da N3K Studios.

Antes de mais nada é preciso saber que a origem da mitologia iorubá veio principalmente da Nigéria e da República do Benin. Quando os primeiros escravos chegaram ao nosso país, trouxeram também suas crenças e cultos, que durante muito tempo permaneceram marginalizados assim como seus filhos. Essas crenças e cultos, influenciadas pela mitologia dos iorubás, deram origem a várias religiões no Ocidente, tais como a de Santería em Cuba, o Candomblé e a Umbanda no Brasil.

Para adaptar-se à realidade brasileira, os escravos que cultuavam essas divindades acabaram identificando alguns dos orixás com santos católicos. Foi dessa forma que Ogum acabou se misturando com São Jorge, Yemanjá com Nossa Senhora dos Navegantes, e Iansã com Santa Bárbara. Este sincretismo religioso, retratado tão bem pelo escritor Jorge Amado, permanece até hoje.

Para quem tem vontade de conhecer um pouco mais sobre a cultura iorubá, vai gostar muito da série fotográfica mencionada neste artigo. Ela tem imagens belíssimas e muito bem trabalhadas para se aproximar ao máximo da representação dessas divindades. A série Yoruba African Orishas foi criada pelo fotógrafo James C. Lewis, da Noire 3000 Studios, para representar 20 dos mais de 400 deuses do yorubá, entidades conhecidas como orixás no Brasil e irunmole na Nigéria.

Escolhi Exu para abrir a sequência de fotos porque ele é o orixá que abre os caminhos. Muitas vezes pessoas más intencionadas invocam Exu para abrir os caminhos do mal, e por isso frequentemente ele é comparado ao Diabo, o que não é verdade. Para essas pessoas que mancham a essência mitológica dos orixás, só lamento, vocês ‘não’ vão conseguir. E como dizem os ancestrais bem intencionados: Que comecem os trabalhos!

Exu ou Èșù, representado na série Yoruba African Orishas, de James C. Lewis (Noire 3000 Studios).
Exu (Èșù, na língua iorubá). © Noire 3000 Studios

Exu é o orixá da comunicação. É o guardião das aldeias, cidades, casas e do axé, das coisas que são feitas e do comportamento humano. Na verdade, Exu é o orixá do movimento, o mensageiro divino dos oráculos.

Yemanjá ou Yemoja, representada na série Yoruba African Orishas, de James C. Lewis (Noire 3000 Studios).
Yemanjá (Yemoja, na língua iorubá). © Noire 3000 Studios

Yemanjá, também conhecida como Rainha do Mar no Brasil, é o orixá feminino dos mares. Ela é saudada como Odò (rio) ìyá (mãe) pelo povo Egbá, por sua ligação com Olokun. Na mitologia iorubá, o dono do mar é Olokun, que é pai de Yemanjá. Portanto, ela seria na verdade a Princesa do Mar.

Ogum ou Ògún, representado na série Yoruba African Orishas, de James C. Lewis (Noire 3000 Studios).
Ogum (Ògún, na língua iorubá). © Noire 3000 Studios

Ogum é o orixá do ferro, o senhor dos metais, deus da guerra e da tecnologia. Ele próprio forjava suas ferramentas, tanto para a caça, como para a guerra. Também é considerado o primeiro orixá a descer do Orun (o céu) para o Aiye (a Terra) após a criação. Na África, seu culto é restrito aos homens.

Iansã ou Oyá, representado na série Yoruba African Orishas, de James C. Lewis (Noire 3000 Studios).
Iansã (Oyá, na língua iorubá). © Noire 3000 Studios

Oyá é uma divindade associada aos ventos e trovões, sendo mulher de Xangô, o senhor dos raios e do fogo. O nome Iansã trata-se de um título que Oyá recebeu de Xangô que faz referência ao entardecer. Era como ele a chamava pois dizia que ela era radiante como o entardecer.

Olokun representado na série Yoruba African Orishas, de James C. Lewis (Noire 3000 Studios).
Olokun (Olókun, na língua iorubá). © Noire 3000 Studios

Olokun é o senhor do mar, metade homem e metade-peixe. Na natureza é simbolizado pelo mar profundo e é o verdadeiro dono das profundezas. Olókun é um dos orixás mais perigosos e poderosos, por isso ele foi ligado ao fundo dos oceanos por Oxalá pra evitar que sua força fizesse calamidades.

Oxóssi ou Osóosì, representado na série Yoruba African Orishas, de James C. Lewis (Noire 3000 Studios).
Oxóssi (Oṣóosì, na língua iorubá). © Noire 3000 Studios

Oxóssi é o orixá da caça, das florestas, dos animais e da fartura. Está nas refeições, pois é quem provê o alimento. É um orixá de contemplação, amante das artes e das coisas belas. É o caçador de axé, aquele que busca as coisas boas para um ilé, aquele que caça as boas influências e as energias positivas.

Oxum ou Òșun, representada na série Yoruba African Orishas, de James C. Lewis (Noire 3000 Studios).
Oxum (Òșun, na língua iorubá). © Noire 3000 Studios

Oxum é o orixá feminino que reina sobre a água dos rios, o amor, a intimidade, a beleza, a riqueza e a fertilidade. O seu nome deriva do Rio Osun, que corre na região nigeriana de ijexá e Ijebu. Ela é dona do ouro e da nação ijexá.

Ibeji ou Ìbejì, representado na série Yoruba African Orishas, de James C. Lewis (Noire 3000 Studios).
Ibeji (Ìbejì, na língua iorubá). © Noire 3000 Studios

Ibeji é a divindade gêmea da vida, protetor dos gêmeos (twins) na Mitologia Iorubá. Os Yorubá acreditam que era Kehinde (último gêmeo gerado) quem mandava Taiwo (primeiro gêmeo gerado) supervisionar o mundo, dando a hipótese de ser aquele o irmão mais velho. Também é frequentemente associado a Cosme e Damião no sincretismo religioso.

Para conhecer todas as 20 imagens desta série incrível, visite o site da N3K Studios e clique na seção “Portfólio”. Aprecie sem medo e com respeito, seja qual for a sua crença!

  • Petit Gabi

    Fotografias belíssimas! Adorei o artigo pois também tenho muita curiosidade sobre esse assunto. Foi bacana conhecer um pouco sobre cada divindade.

    • Que bom saber q tu tb se interessa ou tem curiosidade sobre esse assunto. Eu fico imaginando um filme com essa temática. Acho q ia gerar uma grande polêmico, mas o legal seria se ajudasse as pessoas a respeitarem ao invés de discriminar. Afinal, é uma crença como tantas outras. Né?

  • marissol

    SOU UMA CURIOSA DESSE ASSUNTO.
    OBRIGADA POR AJUDAR.

  • jefa

    faltou minha mãe, Nanã

    • Eu queria ter colocado tantos outros, mas ñ deu, são mtos. Acho q depois farei outros textos sobre o assunto. Te vejo por aqui, abraços!