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ALEMANHA | Um filósofo chamado Nietzsche

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Em mais um dia do nosso Especial “ATIVAR na Copa”, chegou a hora de filosofar junto com o pensador Friedrich Nietzsche, o escolhido para representar a Alemanha.

Retrato de Nietzsche, feito pelo fotógrafo Gustav Schultze, em 1882.
Retrato de Nietzsche, feito pelo fotógrafo Gustav Schultze, em 1882. © Domínio Público

Friedrich Wilhelm Nietzsche nasceu em 1844, na cidade alemã de Röcken. Nascido em uma família protestante, cresceu sob forte influência da religião, tanto que cogitou tornar-se pastor. Seu pai faleceu quando ele tinha apenas cinco anos e por isso passou a infância rodeado pela dominação das mulheres de sua família. Era uma criança calma, solitária e que passava boa parte do seu tempo livre lendo a bíblia.

Em 1958, passou a frequentar um internato depois de ganhar uma bolsa de estudos. Lá ele foi apresentado à Antiguidade grega e romana. Estudou filosofia clássica e teologia nas universidades de Bonn e Leipzig. Nietzsche era influenciado por grandes personalidades como Arthur Schopenhauer, Jacob Burckhardt, Fédor Dostoieviski e Richard Wagner. Além de estudar sobre Platão, Homero, Diógenes, entre outros.

Aos 25 anos, em 1869, tornou-se professor de filologia clássica na Universidade da Basileia. Deu aulas sobre grandes pensadores como Ésquilo e palestras, como “A personalidade de Homero”. Escrevia textos, lia poesia e escutava boa música. A vida parecia ótima para Nietzsche e todos o consideravam um jovem promissor.

Infelizmente, com o estouro da Guerra Franco-Prussiana, Nietzsche é obrigado a deixar seu posto como professor para trabalhar no conflito como enfermeiro em 1870. Acabou abandonando a batalha por conta de uma disenteria e difteria, problemas de saúde que acabaram o atormentando pelo resto da vida. Friedrich saiu da guerra doente e com a ideia de que o estado e a política são antagonistas.

A guerra civil na França e o episódio da Comuna de Paris foram fundamentais para o acirramento das posições políticas de Nietzsche. Ao longo dos vinte anos seguintes ele desenvolveu uma série de escritos que o colocaria ao lado dos antidemocratas, dos anti-socialistas e qualquer outro tipo de ideia que pregasse a igualdade. Pregava o instinto contra a razão, era anti-cristianismo, odiava o Estado e desagradava-o o comportamento social de “rebanho”.

Caricatura de Nietzsche feita pelo chargista Amarildo.
Caricatura feita pelo chargista Amarildo.

Nietzsche só teve uma paixão, Lou Andreas Salomé. Uma mulher que conheceu em 1881 e a quem cortejou por mais de oito meses inutilmente. A moça acabou se casando com um amigo seu, Rainer Maria Rilke. A rejeição da única mulher pela qual se interessou ajudou a consolidar sua notável misoginia.

Em decorrência de suas doenças, Nietzsche teve que se aposentar precocemente. Levou uma vida de cigano, vivendo de pensão em pensão em busca de um lugar ideal para pensar e escrever entre cidades italianas e francesas. Em uma vida solitária e frustrada, principalmente por suas obras não terem sido bem recebida em sua maioria pelo público e pelos críticos, teve seus primeiros acessos de loucura em 1889, quando já estava quase totalmente cego.

Após longas temporadas internado em clínicas da Basileia e de Jena, Nietzsche passaria o fim da vida na casa da mãe, que cuidou dele até morrer, deixando-o ao encargo da irmã. Nietzsche faleceu em 1900.

Alguns dos escritos que Friedrich deixou para a humanidade foram: “Humano, Demasiado Humano, um Livro para Espíritos Livres”, “Assim Falou Zaratustra, um Livro para Todos e para Ninguém”, “Além do Bem e do Mal, Prelúdio a uma Filosofia do Futuro”, “O Crepúsculo dos Ídolos, ou como Filosofar com o Martelo”, “Ecce Homo, de como a gente se torna como a gente é”, entre outras grandes obras para a posteridade.

Alguns dos aforismos de Friedrich Nietzsche para aplicarmos na vida como um todo:

Quem tem uma razão para viver é capaz de suportar qualquer coisa.

As pessoas que nos fazem confidências se acham automaticamente no direito de ouvir as nossas.

O reino dos céus é uma condição do coração e não algo que cai na terra ou que surge depois da morte.

Deveríamos considerar perdido o dia em que não dançamos nenhuma vez.

Quem não sabe guardar suas opiniões no gelo não deveria entrar em debates acalorados.

De que vale o ronronar de alguém que não sabe amar, como um gato?

Ninguém é tão louco que não possa encontrar outro louco que o entenda.

Capa do livro Nietzsche para estressados, de Allan Percy.
Capa do livro de Allan Percy.

Esses e outros aforismos foram condensados no livro de Allan Percy, Nietzsche para estressados. Vale a pena conferir os 99 ensinamentos deixado pelo filósofo nessa leitura leve e que se encaixa perfeitamente em nosso dia-a-dia.

* Agradecimento especial a Micro & Soft Informática pelo apoio na realização deste projeto especial.