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No Caminho das Setas

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Músico, compositor, ativista social e ex-integrante da banda O Rappa, Marcelo Yuka levou nove tiros durante um assalto no Rio de Janeiro e ficou paraplégico no ano 2000. Sua história poderia ter sido contada de diversas maneiras. Inclusive, poderia ter seguido uma linha mais sensacionalista, explorando as mazelas da violência urbana e o caos social em que vivemos. Mas a jornalista e cineasta Daniela Broitman decidiu seguir um caminho oposto a tudo isso.

Marcelo Yuka no caminho das setas
Marcelo Yuka no caminho das setas. Foto: Divulgação

Em Marcelo Yuka no Caminho das Setas, o que vemos é uma abordagem sensível e singular, que consegue ao mesmo tempo emocionar e nos fazer enxergar a história de Yuka através de um olhar muito mais profundo.

Daniela e Marcelo se conhecem há quase dez anos e compartilham de muitas ideias em comum, principalmente no que diz respeito a trabalhos sociais em que os dois são envolvidos. Mas foi somente ao voltar de uma temporada de estudos nos Estados Unidos, em 2002, e ao conhecer melhor o músico, que despertou em si o interesse de fazer algo sobre o amigo. Ela queria contar a história dele, falar de seus sonhos, ideias, questionamentos, mas principalmente sobre o poderoso processo transformador pelo qual Yuka havia passado desde seu incidente. Surgia aí uma parceria e a produção de um trabalho que entre captação de recursos, produção e edição final, levaria 12 anos para enfim ficar pronto.

O longo processo de produção deu aos dois amigos a chance de se aprofundarem em seus ideais em comum e de buscarem novas maneiras de contar uma história triste sem parecer piegas ou sensacionalista. Para Marcelo, foi algo ainda mais profundo. O músico ainda buscava uma maneira de lidar com sua dor, o rancor que sentia com a forma que as coisas tomaram em sua vida e também a relação com os integrantes da ex-banda, O Rappa. Foi só depois de ver o documentário que, segundo Daniela (em entrevista para a revista Vida Simples – Janeiro/2013), Marcelo conseguiu enxergar as coisas por outro ângulo. “Ele passou a ter mais sensibilidade, a entender que não valia o ‘combate pelo combate’, mas sim a busca pelo amor”, disse a cineasta.

Cartaz do filme Marcelo Yuka no Caminho das SetasInformações Técnicas

Título Original: Marcelo Yuka no Caminho das Setas
País de Origem: Brasil
Gênero: Documentário
Duração: 95 min
Ano de Lançamento: 2011
Estreou no Brasil: 10 de Outubro de 2011
Direção e Roteiro: Daniela Broitman
Direção de Fotografia: Reynaldo Zangrandi
Música Original: Berna Ceppas
Produção: VideoForum Filmes
Produtora associada: Zucca Produções
Distribuição: Tucumán Filmes
Site Oficial: marceloyukanocaminhodassetas.com

Algumas cenas do documentário são tão emocionantes que dá para sentir o quanto aquilo tudo mexeu com o músico. Em um dado momento, Marcelo lê cartas de fãs, recebidas enquanto ele ainda estava no hospital. As cartas ficaram guardadas durante anos e nunca tinham sido abertas até aquele instante. E o músico, naquele pedacinho de tempo, compartilha com o público todo o carinho que esse mesmo público sente por ele. É uma conexão incrível, essa coisa de ser amado por um desconhecido, que admira seu trabalho sem nem mesmo te conhecer pessoalmente. A emoção nos olhos de Yuka ao ler isso é notável.

Durante oito anos, Marcelo foi acompanhado por Daniela e a equipe de produção, mostrando sua rotina e como levava a vida após ficar paraplégico. A família do músico participa do documentário, assim como amigos e integrantes do O Rappa, que dão depoimentos e expõem suas versões para a rixa entre Yuka e eles. Esse assunto é inclusive abordado logo no início do documentário. São mostradas também cenas de antigos shows e de novos projetos de Yuka, como o conjunto F.UR.T.O e sua carreira solo. No documentário também são abertas discussões sociais e sobre segurança propostas pelo músico. Em 2012, Marcelo lançou o livro Astronautas Daqui (Leya, 336 páginas), que aborda problemas sociais, temas bem recorrentes em sua trajetória.

Daniela Broitman e Marcelo Yuka no caminho das setas
Daniela Broitman e Marcelo Yuka. Foto: Reprodução
Daniela Broitman, Chico Neves e Marcelo Yuka no caminho das setas
Daniela Broitman, Chico Neves e Yuka em momento de descontração no estúdio do músico. Foto: Reprodução

Sobre sua condição como paraplégico, Marcelo diz em uma entrevista para a Folha de São Paulo: “Aprendi uma coisa com a cadeira de rodas: o amor como ferramenta é um objeto contundente. É como se tivesse esse amor como um colete salva-vidas, mas não soubesse inflá-lo. A cadeira de rodas me deu isso”. E sobre o documentário, Marcelo ressalta: “Foi um filme muito gentil comigo. Devia ter mais gente falando mal. […] Também tem a coisa de condensar a vida inteira de uma pessoa em 70 minutos. Você diz: ‘Eu não sou só isso’”.

O documentário recebeu o prêmio de Melhor Montagem no 13º Festival do Rio em 2011 e participou de mostras e festivais como 35ª Mostra Internacional de São Paulo em 2011, 14º Festival du Cinéma Brésilien de Paris em 2012, entre outros.

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