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Salve Jorge, Amado Jorge!

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Em 10 de agosto de 2012, Jorge Amado completaria 100 anos. O escritor baiano que nasceu em Itabuna no ano de 1912 – e ainda na infância arrancou de um professor a profecia de que seria um grande escritor, nos deixou muitas saudades em 2001. Mas até hoje está presente no imaginário das Gabrielas, das Teresas e de milhares de brasileiros que conhecem e amam suas obras.

Jorge Amado escrevendo em Salvador
Jorge Amado escrevendo em Salvador, no ano de 1972. Foto: Zélia Gattai/Reprodução

Jorge Amado deixou um legado de quase 40 livros publicados e teve sua obra traduzida para mais de 50 países. Como o autor mais adaptado da televisão brasileira, alguns de seus livros inspiraram filmes, novelas, músicas, romances e histórias de vida. Afinal, Jorge representava em suas obras o Brasil mestiço, com suas misturas de cores e sabores, culturas, religiões, desigualdades e belezas atemporais.

Como todo bom contador de histórias, Jorge dialogava com a vida real e cativava seus leitores por apresentar narrações democráticas, pela desconstrução do preconceito e por usar uma linguagem cheia de misturas que vão do culto ao vulgar. Além disso, faz-se presente em suas obras grandes personagens femininos, que são capazes de fazer sua própria sorte acontecer.

O Brasil retratado por Jorge é o do povo simples, que quebra paradigmas sociais, dos pés descalços e da fala coloquial. Tal qual Gabriela, cravo e canela, que não entende a necessidade de usar sapato de salto e chapéu para ser considerada um ser presente dentro da sociedade. Essa estética popular abordada por Jorge tornaram suas obras clássicos da literatura brasileira, facilmente entendida e reconhecida por seu estilo peculiar. Mas não se engane achando que faltava o eruditismo no escritor. Jorge lia de Neruda a Sartre e vivia rodeado por livros.

Visita dos amigos de Jorge Amado
Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Jorge e Mãe Senhora no Axé do Opô Afonjá. Foto: Zélia Gattai/Reprodução
Jorge Amado e Sofia Loren
Jorge Amado no apartamento da atriz Sofia Loren, em Paris. Foto: Zélia Gattai/Reprodução
Jorge Amado no Pelourinho
Jorge Amado no Pelourinho, centro histórico de Salvador/BA. Foto: Zélia Gattai/Reprodução
Jorge Amado e Zélia Gattai
Jorge Amado e sua esposa Zélia Gattai. Foto: Reprodução

Defensor do sincretismo cultural e da mistura de raças, Jorge abordava o racismo tal qual ele se apresenta no Brasil. Uma forma particular de sentir-se envergonhado pela aparência, por ter sangue africano. Ou seja, o racismo entranhado e não o abertamente discutido. O famoso “jeitinho brasileiro” também está presente nas obras de Jorge. A Dona Flor que gosta do marido malandro, mas mantém junto a si o marido trabalhador é um exemplo do brasileiro que adora se dar bem de um jeito ou de outro. O bom humor e a sensualidade também eram fatores marcantes em suas obras.

Casado com Zélia Gattai por mais de meio século, ele foi um homem apaixonado. Por ela, claro, mas nunca escondeu sua paixão pelas mulheres. Ele dizia que queria amar todas as mulheres do mundo. Jorge teve uma vida amorosa bastante movimentada e sempre gostou de deixar isso às claras. Sem vergonha ou pormenores, até mesmo em suas obras esse lado “garanhão pegador” esteve presente em vários de seus personagens. Não se pode dormir com todas as mulheres do mundo, mas se deve fazer esforço, já disse.

Em 1961, Jorge Amado tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira 23, cujo patrono é José de Alencar. Reconhecido pelo mundo, o escritor recebeu inúmeras premiações por suas obras, entre elas: Prêmio Lenin da Paz (Moscou – 1951), Prêmio Nacional de Romance do Instituto Nacional do Livro (Brasil – 1959), Troféu Intelectual do Ano (Brasil – 1970), Prêmio Brasileiro de Literatura – Conjunto de obras (1984), Prêmio Moinho (Itália – 1984), Prêmio Camões (Portugal – 1995).

Gabriela, cravo e canela - Holanda - 1985
Capa do livro Gabriela, cravo e canela na Holanda (1985). Foto: Fundação Casa de Jorge Amado/Reprodução

Algumas das obras mais conhecidas de Jorge Amado: Jubiabá (1935), Mar Morto (1936), Capitães da Areia (1937), Gabriela, cravo e canela (1958), Dona Flor e Seus Dois Maridos (1966), Tenda dos Milagres (1969), Teresa Batista cansada de guerra (1972), Tieta do Agreste (1977).

Curiosidades:

– Jorge queria que a atriz Sophia Loren desse vida a três de suas personagens femininas: Lívia (Mar Morto), Gabriela e Tieta. Mas nunca deu certo.
– Seu livro preferido era Tenda dos Milagres.
– Nos anos 80, após vender os direitos de tradução para o inglês da obra Tocaia Grande, ele comprou um apartamento em Paris.
– Por transmitir a imagem de um Brasil mestiço e cheio de alegria, mas também apresentar seus contrapontos como violência e desigualdades, Jorge foi nomeado pelo jornal francês Libération como o “embaixador simbólico do Brasil”.

Quando estiver de passagem por Salvador, não deixe de visitar a Fundação Casa de Jorge Amado. Lá tem um repertório completo sobre a vida e obra do escritor. Vale muito a pena conhecer.

Fundação Casa de Jorge Amado

Largo do Pelourinho – Salvador – Bahia
Telefone: (71) 3321.0070
Horário de funcionamento: Segunda a sexta das 10h às 18h. Sábados das 10h às 16h.
Valor: R$3,00 (menores de 5 anos não pagam). Às quartas-feiras a entrada é gratuita.

Referências: Educar Para Crescer, Wikipédia, Fundação Casa de Jorge Amado.

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Gabriela SilvaGabriela Silva, mais conhecida como Petit Gabi é uma paraense que já morou em algumas cidades, mas que encontrou seu porto seguro em São Paulo. Uma redatora que adotou a escrita como hobby. Amante de livros, gatos, Chico Buarque e apaixonada por redação. Enfim, uma pessoa comum, que gosta de escrever sobre coisas comuns. Mais do mesmo no Só Vim Pra Escrever, seu blog pessoal. @petitgabi

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