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A obra do mestre Jorge Amado está mais viva do que nunca, com quase 75 anos desde que foi lançado o livro “Capitães da Areia”, ele está de volta pelas mãos de sua neta, a cineasta Cecília Amado. Em sua estreia como diretora, Cecília propõe um diálogo com pessoas de várias gerações nos quatro cantos do Brasil.

Cecília Amado, nascida em 1976, começou a trabalhar no cinema em 1995, como assistente de continuidade no longa-metragem Tieta do Agreste (1996), de Cacá Diegues. Na televisão, trabalhou como assistente de direção na série Cidade dos Homens (2002), e nas novelas Mulheres Apaixonadas (2003) e Da Cor do Pecado (2004). Também foi assistente em filmes como Onde Anda Você (2004) e Batismo de Sangue (2006), entre outros. Em 2011, lança seu primeiro longa-metragem, Capitães da Areia, baseado no romance homônimo de seu avô Jorge Amado – lançado em 1937 (o livro mais vendido do escritor).

É a nossa 1ª entrevista aqui no Ativar Sentidos, e temos a honra de conversar com a gentil diretora, que nos conta um pouco mais sobre o filme.

Ativar Sentidos – Olá Cecilia, gostaríamos de saber o que a levou a produzir e dirigir o filme? Foi intencional a escolha de filmar a obra “Capitães da Areia”?
Cecília Amado
– O próprio romance que me conquistou, independente de ser um livro de meu avô, li Capitães com 14 anos e sonhava ver aqueles meninos correndo na areia. Uma vez trabalhando com cinema, me dei conta da força cinematográfica do livro. Começar com Capitães da Areia foi um grande desafio, mas acredito na força do processo e do resultado.

AS – Como foi o processo de seleção dos jovens atores que integram o elenco do filme? Foi algo novo, ou você já tinha participado de outros projetos com neo atores?
Cecília
– Trabalhar com jovens não-atores não é novidade, remonta ao neo-realismo italiano. Eu mesma já tinha trabalhado como assistente da série Cidade dos Homens para entender como poderia ser o processo.

AS – No livro, Pedro e Dora são loiros. Por que preferiu mudar a aparência deles no filme?
Cecília
– Fiz um processo de seleção na Bahia com 1200 jovens. Nenhum deles era louro, é algo raríssimo nesse universo. Escolhi os dois protagonistas depois de observá-los durante dois meses, eles tinham os personagens dentro deles, eram reais. Achei que pintar o cabelo de ambos de louro seria acabar com a força do realismo que existia dentro deles.

AS – Como surgiu a parceria com Carlinhos Brown para a produção da trilha?
Cecília
– Convidei o Carlinhos no início do projeto, antes mesmo da filmagem. Foi um mergulho dele no filme e meu no repertório e universo sonoro dele.

AS – É difícil fazer uma adaptação, sabendo que muitos detalhes descritivos do livro acabarão se perdendo? Como trabalhou a escolha do que seria relevante?
Cecília
– Adaptar literatura para o cinema é traduzir signos, são linguagens muito diferentes. Além disso o cinema pede uma dramaturgia própria. Você perde alguns detalhes e ganha outros que são próprios do audiovisual.

AS – Qual a sua expectativa em relação ao filme?
Cecília
– O mais importante é o diálogo com pessoas de várias gerações nos quatro cantos do Brasil. Que aqueles que leram o livro 30 anos atrás resgatem seus sentimentos adolescentes e que as novas gerações conheçam um pouco mais de Jorge Amado e da Bahia.

AS – Você tem intenção de filmar outra obra de seu avô? O que acha do romance “Jubiabá”? Já imaginou, dirigir Lázaro Ramos no papel de Antônio Balduino?
Cecília
– Por enquanto não. Jubiabá já foi filmado, se não me engano pelo Nelson Pereira dos Santos. Mas Lázaro seria sem dúvida um grande Antônio Balduino.

AS – Apesar de ter nascida no Rio de Janeiro, você tem uma proximidade grande com a Bahia. A convivência com seu avô, fez com que você se sentisse um pouco baiana?
Cecília
– Passei todos os verões da minha vida na Bahia. Cresci essencialmente nesse universo, sou baiana por DNA e formação cultural.

AS – A crescente onda de novos atores baianos despontando em importantes produções nacionais, como novelas, minisséries e filmes é algo que facilita o trabalho de novas produções feitas no estado?
Cecília
– É uma conquista, a Bahia tem MUITOS talentos na frente e atrás das câmeras. Agora é claro que facilita pois eles se tornam uma referencia comercial.

AS – Para finalizarmos, como você vê a produção audiovisual na Bahia?
Cecília
– Acho que está em um ótimo momento, temos que lutar pela ponta do processo que é a distribuição.

* Entrevista realizada por Edvando Junior, com a colaboração de Gabriela Silva.

  • Mirandaivanil

    A entrevista com Cecília Amado é de suma importancia para opovobrasileiro, especialmente para o povo bahiano. Parabens.

    Ivanil Miranda

  • Mirandaivanil

    A entrevista com Cecília Amado é de suma importancia para o povo brasileiro, especialmente para os bahianos. Parabens.

    • Olá Ivanil, q bom vê-la por aqui! Realmente a Cecília fez um ótimo trabalho no filme e a entrevista ficou mto boa. Super abraço!