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ENTREVISTA com Mário Lúcio de Freitas (Parte 1)

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Hoje temos um convidado especial, é o palhaço Fominha. Ops, ou melhor… O nosso entrevistado é, na verdade – o produtor musical, arranjador, compositor, músico de conjunto, apresentador, dublador, diretor de dublagem, cantor e ator brasileiro – o grande Mário Lúcio de Freitas. Ufa!

Mário Lúcio de Freitas, o Fominha.
Quando criança, Mário Lúcio de Freitas interpretou o palhaço Fominha.

O homem que deu vida ao pequeno Fominha se transformou em um profissional multimedia, mas nunca perdeu a essência e a pureza do ser criança. Trabalhou em diversas áreas e destacou-se pelo trabalho desenvolvido para o universo infantil, ao qual se dedica até hoje.

Quem não se lembra da clássica música de abertura do seriado Chaves? Quem não se lembra das músicas e dublagens dos animes Cavaleiros do Zodíaco, Fly – O Pequeno Guerreiro, Dragon Ball, Sailor Moon; das vinhetas de abertura dos programas TJ Brasil, Hebe, Programa Livre; das séries Punky, A Levada da Breca, Jem e as Hologramas, Ursinhos Carinhosos; e também das novelas Os Ricos Também Choram e Chispita? É isso mesmo, todas elas tiveram o dedo mágico de Mário Lúcio de Freitas e seus parceiros. Agora, vamos fazer uma viagem pelo mundo de alegria e fantasia criado pelo nosso entrevistado.

Ativar Sentidos – Você começou atuando como ator de circo, ainda criança. Como foi essa época da sua vida e como isso influenciou sua ida para a TV?
Mário Lúcio de Freitas
– Foi muito boa. Morei no circo até meus 11 anos. Como comecei a trabalhar aos 4, foram 7 anos de muito aprendizado e de muita alegria. Essa fase influenciou totalmente a minha ida para a TV, pois foi lá que me viram pela primeira vez trabalhando. Nós não conhecíamos ninguém da TV Paulista. O convite foi espontâneo. Agora, em 2013, farei 60 anos de carreira. É mole? (risos)

AS – A sua relação profissional com o apresentador Sílvio Santos vem de longa data. Quais os principais trabalhos que você destacaria nessa parceria? E como é/foi sua relação com ele?
Mário Lúcio
– Conheci Sílvio Santos ainda na Rádio Nacional, hoje Rádio Globo, na Rua das Palmeiras, em São Paulo. Ele ainda era o locutor comercial de Manuel de Nóbrega (assista um trecho do programa Praça da Alegria), assim como Lombardi o foi para ele durante muitos anos. O primeiro trabalho que fizemos juntos foi a Caravana do Peru, que eram shows que ele fazia em circo, com a participação de alguns artistas: Sólon Salles, Gessy Soares de Lima, o humorista Barnabé e a Macaca Chita, além da dupla de palhaços Renée e Fominha, que éramos nós, eu e meu irmão Mauro Renée de Freitas. Depois, trabalhei para ele de 1981 a 1996, quando criei, verti ou adaptei por volta de 45 músicas, que foram utilizadas como aberturas de programas, de novelas ou vinhetas institucionais. Só que nesta fase a gente não se encontrou pessoalmente. Talvez ele nem saiba que quem criou esses trabalhos para ele foi o Fominha da Caravana do Peru. Inclusive, nesta fase, fiz a produção musical de um documentário sobre a história dele próprio (Sílvio Santos – Um Exemplo de Sucesso), dirigido pelo cineasta Francisco Dreux. Atualmente, o que existe em comum é a utilização de parte deste trabalho pela emissora, que continua no ar ou que é exibido esporadicamente. Já Sílvio, continua sem fazer a associação Fominha/SBT.

Mário Lúcio de Freitas - Fominha e Renée
A dupla de palhaços Fominha e Renée, formada por Mário Lúcio e seu irmão Mauro Renée de Freitas.

AS – Você trabalhou para quase todas as emissoras de TV de São Paulo. Em quais você teve maior reconhecimento e qual te trouxe mais satisfação profissional?
Mário Lúcio
– Todas elas, pois foram participações diferentes. Na TV Paulista (de 1960 a 1967), que se transformou em Rede Globo durante nossa passagem por lá, eu atuava como ator, apresentador, cantor e até produtor. Na TV Excelsior, a gente tinha um conjunto vocal, chamado Os Iguais, que fez muito sucesso. Dele participava também Marcelo Gastáldi, famoso por ter sido o principal dublador do Chaves e Antônio Marcos, que viria a se tornar um cantor famoso posteriormente. Na TV Record, participei como baixista do conjunto The Beatniks, quer fazia toda a linha de shows da emissora, principalmente Jovem Guarda. Na TV Tupi, dirigi a banda do Programa Barros de Alencar. Na Cultura, apresentamos, em parceria com Marisa Leite de Barros, o programa Violão pela TV, que ensinava o instrumento de maneira simples e prática, onde ela era a aluna e eu o professor. E por aí vai. Todas as passagens tiveram sua importância.

AS – Sua carreira musical começou numa fase denominada de Pré-Jovem Guarda. De lá para cá, muita coisa mudou. Como se deu sua evolução na música e quais foram os principais trabalhos/parcerias realizados?
Mário Lúcio
– Não é que muita coisa mudou: mudou tudo! Ainda mais com a inclusão dos computadores na música. Sempre gostei das inovações e neste caso não poderia ser diferente. Se você pegar minhas produções dos anos 1980, verá que ali já tem muita coisa desta área inserida. Sempre gostei de mesclar o acústico com o eletrônico. No tema “Les Chemins d’Amour”, que fizemos em parceria com Antônio Paladino, para a novela Que Rei Sou Eu?, que saiu no LP Internacional da novela da Rede Globo, isso fica bem claro. Misturamos o clássico com o eletrônico de maneira bem exposta. Quase que satírica. Mas sempre gostei de criar em cima, nunca imitar. Já em minha primeira produção para disco, na canção “Quero Te dar meu Coração” (I’ll Follow the Sun) dos Beatles, gravada pelo quarteto vocal Os Iguais em 1967, isso fica bem claro. Não utilizei o arranjo dos Beatles. Criei em cima, modificando levada, harmonização, nuances, etc. E foi um grande sucesso, chegando aos primeiros lugares das paradas.

Outro disco que chama muita atenção é o Turminha Zig-Zag, com quatro aberturas de desenhos do SBT. Criamos canções brasileiras para as séries, gravadas com tudo que tinha direito na época (1983). Nele estão as aberturas das séries Rei Arthur, Angel, A Menina das Flores, Fábulas da Floresta Verde, e Luluzinha e Bolinha. Todas de grande sucesso. Essa mesma visão da música também sempre esteve presente nas bandas das quais participei. Em Os Incríveis, quando de minha participação, fiz o arranjo da releitura do clássico “Caminhemos”, que recebeu uma versão meio balançada, com uma harmonização moderna, bem diferente da original. Mais recentemente, essa filosofia também foi utilizada no disco Eu Acredito em Palhaço, inserido no projeto “O Dia do Nariz Vermelho”, com a participação de Tobias, da Vai-Vai e de Jair Rodrigues, entre vários outros artistas famosos.

Mário Lúcio de Freitas - Os Incríveis
Capa do compacto gravado pelo grupo Os Incríveis, ao qual Mário Lúcio (último à direita) fez parte.
Mário Lúcio de Freitas - Turminha Zig-Zag
Mário produziu e compôs as músicas do LP Turminha Zig-Zag (imagem restaurada por Rummenigge P. Silva).
Mário Lúcio de Freitas com Tobias, da Vai-Vai e Jair Rodrigues
Tobias, da Vai-Vai, Mário Lúcio e Jair Rodrigues nas gravações do disco Eu Acredito em Palhaço.

AS – Você também tem uma longa trajetória no mercado publicitário. O que te levou para esse caminho e o que trouxe de positivo para sua carreira como artista?
Mário Lúcio
– Isso se deu início no princípio dos anos 1980. Como eu havia abandonado as bandas – toquei em várias famosas: The Beatniks, Os Iguais, The Jet Blacks e Os Incríveis, entre elas – eu estava procurando um novo caminho. E os estúdios Avantgarde, especializados em publicidade, foram os que me deram essa oportunidade. Como minha filosofia era a de fazer diferente e bem feito, ela se encaixou como uma luva nesta área. Fiz muitas peças publicitárias famosas, tanto como criador ou como ator. O jingle “Ruffles, a batata da onda” ganhou concorrência internacional, sendo exportado para o mundo todo. No filme “Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais? Qual será o segredo de Tostines?” (clique aqui e assista a propaganda) minha participação como ator foi marcante, sendo lembrada até hoje (fiz a voz do aluno). Mas fiz também campanhas para “Caninha 51, uma boa ideia”, “Bradesco Dia e Noite”, “Brinquedos Estrela – Dragão”, que ganhou prêmio de melhor trilha musical, entre muitos outros. Todos esses trabalhos podem ser revistos em meu site pessoal. Logo após essa fase, criamos o estúdio Marshmallow.

Essa foi apenas a 1ª parte da nossa mega entrevista com o Super Mário Lúcio. Você que é fã de dublagem e de séries/desenhos animados que marcaram a infância de milhões de brasileiros com idade entre 25 e 35 anos, não pode perder a continuação!

* Todas as fotos utilizadas pertencem ao arquivo pessoal de Mário Lúcio de Freitas.
Entrevista realizada por Edvando Junior e Gabriela Silva.

  • Caninha 51, uma boooa ideia! Hahaha, esse Mário arrebenta. Parabéns pelo trabalho, mto bem feito!

    • Hehe, ele tem boooas ideias. Lembrando outra produção mto importante q o Mário participou ainda criança, “O Vigilante Rodoviário” (1962), a primeira série produzida no Brasil e exibida pela TV Tupi. Ele tb participou do filme “O Vigilante Contra o Crime” (1964), q foi baseado na série da TV. Aqui tem uma reportagem exibida pelo Fantástico em 1993: http://youtu.be/vGCQaWOJTiI

  • Mário Lúcio de Freitas

    Vocês se aprofundaram em minha carreira, hein? rsrsrs Ótimo, é muito bom saber que tem pessoas nos vendo com carinho.

    • Heheheh, graaande Mário, q bom ver seu comentário aqui. Tentamos fazer o possível para q todos possam conhecer melhor sobre seus trabalhos. Tudo de bom pra vc, abraços!